João Caetano, filho ilustre de Itaboraí

Durante o trabalho de campo do projeto Força Cultural de
Itaboraí é feito um levantamento não só dos aspectos
culturais recentes da cidade como das personalidades do
passado que ajudaram a moldar o município.
Com patrocínio da Unesco/Monumenta/Ministério da Cultura, o Visite Itaboraí é uma iniciativa do Instituto IDEIAS em parceria com o Sebrae/RJ e apoio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura a e Secretaria Municipal de Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo de Itaboraí.
Entre essas personalidades está João Caetano. Um dos mais importantes teatrólogos brasileiros e ilustre filho de Itaboraí. Nasceu na Serra do Lagarto, na então vila de São João de Itaboraí. Além de berço literal, a futura cidade foi seu “berço dramático”, como a ela Caetano se referia.
De fato, a estréia nos palcos se deu em 1827, na cidade natal. Interpretou Carlos na peça Carpinteiro da Livônia. A consagração e o início da carreira meteórica se deu no ano de 1831, no Teatro Constitucional Fluminense.
O talento seria oficialmente reconhecido em 1847, quando sua empresa teatral passa a receber auxílio do Governo Imperial. A fama internacional ajudou a trazer companhias francesas para apresentações no Brasil e em 1860 o teatrólogo viajou à Lisboa para apresentar a peça São Tropéz ao Rei de Portugal, D. Pedro V.
João Caetano viria a falecer no ano de 1863, aos 55 anos. Seu vasto legado pode ser sentido por toda Itaboraí e pelo Brasil. Na cidade, João Caetano dá nome ao principal teatro. No resto do país e no Estado do Rio, não faltam teatros e monumentos com seu nome.
Eventos
Itaboraí vale a pena ser conhecida por mais que apenas os monumentos e a rica história. A cidade oferece uma série de eventos durante o ano que mostram sua cultura, gastronomia e arte.
O Festival do Caranguejo acontece em março e é uma oportunidade imperdível para provar a comida típica da região. O evento é realizado pela Secretaria de Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo de Itaboraí e a Associação de Catadores de Caranguejo, para valorizar o trabalho dos catadores, divulgar a atividade e desenvolver a comercialização.
A música e a dança também tem seu lugar na cidade. Em seu sexto ano de apresentação, a Mostra de Dança de Itaboraí conta com a participação de mais de 30 grupos de diversos segmentos. Para assistir ao evento organizado pela ONG Fazendo Acontecer, o ingresso é 1kg de alimento não perecível.
Ao participar o visitante também ajuda as entidades filantrópicas para o qual esse alimento é doado.
No dia 22 de maio se comemora o aniversário da cidade. Naturalmente os moradores de Itaboraí não deixam essa ocasião passar em branco. São feitos desfiles por toda a cidade sempre focando em um tema diferente a cada ano. Durante todo o mês de maio a cidade tem bailes, exposições, shows e gincanas para celebrar a instalação da Câmara Municipal.
Todos estes eventos e muitos outros estarão cadastrados em www.visiteitaborai.com.br, para tornar mais fácil para todos planejarem suas viagens pelo município.

O Imortal de Itaboraí
Itaboraí é uma das poucas cidades do Brasil com o privilégio de ter um cidadão imortal. Nascido em 24 de junho de 1820, Joaquim Manuel de Macedo é uma das ilustres figuras que enriqueceram a vida dos itaboraienses.
Joaquim Manuel de Macedo foi um homem de muitos talentos.
Ensinou história para as pricesas Isabel e Leopoldina, foi
médico, jornalista, deputado, pesquisador, e acima de tudo,
escritor.
Seu primeiro grande feito, a publicação do romance A
Moreninha, foi lançado em 1844, o livro é um dos marcos do
romantismo brasileiro e um sucesso de vendas que mais de
150 anos depois segue reeditado e lido. Porém, a vida
literária começou muito antes. O primeiro poema foi escrito em
1813, com apenas 11 anos de idade, de nome O Sete de Abril.
Durante sua vida acumulou cargos e
profissões. Em 1844 tornou-se membro do Conselho Conservatório
Dramático do Rio de Janeiro. Um ano depois entra
para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ocupando o
cargo de primeiro secretário. No mesmo ano também abre
uma clínica médica e começa a cortejar sua futura esposa.
A história pessoal de amor do escritor durou dois anos até se concretizar. A futura esposa, Maria Catarina Sodré era filha de um usineiro de açúcar da região, que se opunha ao casamento dos dois. Só após receber o Título de Cavaleiro da Ordem Rosa é que acabam se unindo.
O serviço público atraía bastante o escritor, foi professor do tradicional colégio do Rio de Janeiro, Pedro II. O destaque que teve na função, e no talento como escritor, o elegeu como deputado e chamou a atenção do Imperador. D. Pedro II o chamou para assumir funções no governo, mas Joaquim recusou por princípios éticos, o que não o impediu de dar aulas de história e geografia para as filhas do Imperador.
Enquanto isso, continuava com a produção literária.
Contemporâneo de outra famosa figura de Itaboraí, João
Caetano, os dois trabalharam juntos na peça O Cego, de
1849, com texto de Joaquim e encenada por João.
O talento e a vasta produção incluía poemas (um deles
intitulado São João de Itaboraí, é uma ode à cidade em que
nasceu), livros e artigos para jornais lhe valeram a cadeira
número 20 na Academia Brasileira de Letras.
Falecido no
dia 11 de abril de 1882, Joaquim foi enterrado num mausoléu
construído pela população do município como forma de
homenagem. Atualmente seu nome está na Biblioteca
Municipal e em um busto na Praça Marechal Floriano
Peixoto.
A Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres
Durante o trabalho de campo realizado pelo Projeto Visite Itaboraí,
foram identificados alguns locais que sobrevivem e alimentam a população com
arte.
A Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres é um desses locais. De propriedade
do IPHAN, e administrado pela Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, a
casa existe desde a década de 60 como centro cultural da cidade.
O Casarão era propriedade da antropóloga Heloisa Alberto Torres. Especialista em
arqueologia e etnografia, ela escreveu livros importantes na área de cultura, como
Cerâmica de Marajó e Arte Indígena da Amazônia.
Heloísa faleceu em 1977, e a casa se transformou no verdadeiro centro cultural da cidade. Quem visita hoje a Casa de Cultura
tem acesso a mais de oito mil obras abordando temas que vão desde política até antropologia, sociologia e direito.
Além do acervo acumulado por Heloísa, a Casa se manteve preservada e é uma viagem ao passado da cidade. O mobiliário é do período colonial e imperial, e uma interessante curiosidade é o guarda-casaca que pertenceu ao famoso escritor romântico
Joaquim Manuel de Macedo, autor de “A Moreninha”.
A Casa promove em seu espaço muitos exposições, algumas permanentes e outras temporárias, de artes plásticas, artesanato
e fotografia. No quintal são promovidos espetáculos de teatro e música para preservação e difusão da cultural
local.